16.09.2019

O Centro de Estudos Brasileiros inaugura na próxima segunda-feira, 16 de setembro, às 12h00, no hall da Faculdade de Direito, a exposição “Correio da Manhã. Una revolución de imágenes en los años 1960″, resultado de uma ampla pesquisa no Arquivo Nacional do Brasil.
 
O jornal carioca Correio da Manhã foi um dos mais relevantes meios de comunicação brasileiros do século XX. A sua longa trajetória (1901-1974) esteve marcada pela independência, por opiniões firmes e editoriais corajosos, quase sempre em oposição aos governos militares. Essa postura se manifestava não só nos textos, mas também nas fotografias que evidenciavam um olhar centrado em eventos como protestos estudantis, manifestações, queixas contra a censura e o fechamento do Congresso. Nas páginas das seções esportiva, moda e cultura, os editoriais rompiam a rigidez do padrão figurativo vigente na imprensa diária. O dia a dia do Rio de Janeiro, os desfiles de carnaval, a Copa do Mundo de 1966, os festivais da canção, espetáculos teatrais, jovens cineastas que agitavam o eixe Rio-São Paulo, estrelas de cinema e estilistas internacionais de visita ao país, sem esquecer a adoção de modas como os biquinis e as minissaia: nada escapava aos fotógrafos do Correio da Manhã.
 
É fundamental destacar que essa revolução de imagens se produziu a partir da contratação do premiado fotógrafo Erno Schneider e da formação de uma equipe de profissionais que se somou aos que já atuavam no jornal, como Luís Bueno Filho e Manoel Gomes da Costa. Quando entrou para o jornal, Erno conseguiu também que comprassem equipamentos modernos, como câmaras com grandes teleobjetivos; lutou para que fossem publicados os créditos das fotos, algo inédito na imprensa do momento; negociou com a Direção melhores salários para os fotógrafos e premiou aqueles que mais vezes publicaram fotografias próprias na primeira página do jornal.
 
Com curadoria de Maria do Carmo Rainho, historiadora, a exposição apresenta imagens que registram de forma sensível, bela e inovadora, alguns dos principais acontecimentos da vida pública no Brasil da década de 1960. É uma homenagem aos fotojornalistas brasileiros, principalmente aos que trabalharam no Correio da Manhã. A exposição original contou com o patrocínio do Programa de Ocupação de Espaços da Caixa Cultural que, nos últimos anos, vem apostando pelo setor das artes visuais, especialmente pelas mostras de fotografia e permaneceu em cartaz de 30 de outubro a 13 de janeiro de 2019 na Caixa Cultural Rio.
 
A exposição estará aberta a visitação até 17 de outubro no hall da Faculdade de Direito. A entrada é gratuita.
 

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