g_Cartel exposicion Fernando de Tacca11.09.2018

No próximo dia 11 de setembro, às 12h00, o Centro de Estudos Brasileiros inaugura a exposição “El infierno nunca se harta”, do fotógrafo brasileiro Fernando Cury de Tacca, projeto selecionado no âmbito do programa Residência Artística de Fotografia 2018.

A exposição reúne imagens criadas a partir das fichas policiais de 20 alunos da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo (USP), entre elas a ficha do autor da exposição, Fernando de Tacca, estudantes que foram presos numa batida policial em 22 de setembro de 1977, durante a reunião convocada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), para discutir os rumos do movimento estudantil contra a ditadura militar e refundar a la Unión Nacional de los Estudiantes (UNE) .

Muito tempo depois, o autor foi entrevistado por um assistente do jornalista ítalo-brasileiro Elio Gaspari, que estava escrevendo uma série de livros sobre a ditadura militar. O seu testemunho foi sobre a invasão da PUC-SP e, mais tarde, lhe enviaram a foto de quando ele havia sido fichado. Paralelamente, Tacca recebeu uma surpresa da sua filha, quando ela lhe enviou todas as fotos dos estudantes que também haviam sido fichados na ocasião. Por outro lado, a informação visual de alguns cartazes colados nos postes com frases religiosas sempre chamaram a atenção do autor, entre elas uma especialmente significativa: “O infierno nunca se farta”. Qual o infierno que nunca se farta? O autor acreditava que o infierno já havia esgotado suas entranhas, que já não cabia ninguém mais, que estava completo. Quando o que está em juego é a libre escolha, a maneira pela qual cada um escolhe suas convicções políticas, religiosas, sexuales ou de qualquer tipo, é bom estar sempre estar atento ao possível retorno dos infiernos implantados na nossa vida social. Se o infierno é os demais, como dijo Sartre, nossa liberdade é limitada pela existência e julgamento do outro, uma relação de alteridade sobre o qual não temos controle em relação ao seu pensamento e o limite que esse outro nos impõe?
Mais do que qualquer elucubração filosófica, a superposição de uma afirmação no presente (neste caso “o infierno nunca se farta”) é uma forma de jocosa de lidar e reviver o passado, e ao mesmo tempo desejar que seus amigos, retratados nas imagens desta muestra, escapem dos seus infernos interiores e libertem de qualquer outro que lhes sejam socialmente impostos.
Fernando de Tacca tem mestrado em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e doutor em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP, 1999). Atualmente, é professor doutor livre docência no Departamento de Multimeios, Meios e Comunicação, no Instituto de Artes da UNICAMP.
A exposição estará aberta a visitação no Palacio de Maldonado (Plaza de San Benito, 1) de 11 de setembro a 7 de outubro de 2018, de segunda a sexta-feira, 09h00 às 14h00. A entrada é gratuita.
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