Presentación de PowerPointNo próximo dia 27 de outubro, às 12h00, o Centro de Estudos Brasileiros inaugura a exposição “O Rio do morro ao mar. Demolições e comemorações em 1922”, organizada pela área de Pesquisa e Difusão de Acervo do Arquivo Nacional do Brasil, com o motivo das comemorações dos 450 anos da fundação da cidade do Rio de Janeiro (em 2015) e dos 90 anos da demolição do morro do Castelo e a inauguração da Exposição do Centenário da Independência do Brasil. Foi publicada pela primeira vez em 2013 e a versão completa está disponível neste link.

Como qualquer outra grande cidade do mundo, o Rio de Janeiro sofreu grandes mudanças ao longo de seus 450 anos de existência. Desde a conquista, a população cresceu, tomou os morros e as praias para si, ocupou espaços livres e criou novos quando não havia mais para onde ir. Em uma cidade espremida entre os morros e o mar, o espaço é objeto de disputa física, social, política, econômica e mesmo de memória. Nesse movimento de demolir para depois construir (e reconstruir), o Rio foi ganhando novos contornos, e ao mesmo tempo, apagando parte de sua história. Em 1920, a então capital da República se planejava para celebrar o primeiro centenário da Independência do Brasil (1822) com uma grandiosa exposição internacional na qual se apresentaria o progresso do jovem país ao mundo. A pretexto de melhorar a salubridade do ar, a circulação dos ventos marítimos e impedir a disseminação das epidemias que ceifavam sazonalmente uma parcela não pouco expressiva da população, empreendeu-se o arrasamento do morro do Castelo, sítio que no século XVI fora considerado seguro e estratégico por Estácio de Sá para estabelecer em definitivo a cidade de São Sebastião. Obra de avançada engenharia e de imenso investimento levou mais de duas décadas para ficar pronta, e extinguiu a região mais antiga da cidade, seu marco zero de fundação e a memória de anos de domínio colonial entranhada no seu e casario e em seus habitantes.

Sobre a esplanada resultante e o aterro que acabou com a praia de Santa Luzia, a Exposição do Centenário da Independência foi aberta aos visitantes na data pátria em 1922. Apesar de várias novidades, como a iluminação elétrica que permitia a visitação noturna e a primeira transmissão de rádio no Brasil, na inauguração ainda havia palácios e pavilhões inacabados e alguns mal começados. Ainda assim, a exposição atraiu um grande público desejoso de conhecer as belas construções e os avanços industriais do Brasil e de outras nações.

Essa exposição conta exclusivamente com acervos do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, como o da Comissão Executiva da Exposição do Centenário da Independência do Brasil e do fotógrafo e empresário Marc Ferrez e de seus filhos Júlio e Luciano. A família Ferrez foi uma das mais destacadas no ramo da fotografia e do cinema no país, pioneiros não somente nas técnicas fotográficas, como também no desenvolvimento de métodos e na importação de aparelhos e materiais. Marc Ferrez foi e continua sendo um dos mais importantes fotógrafos brasileiros e seus filhos, Júlio e Luciano, autores de praticamente todas as fotografias que compõem esta exposição, herdaram do pai o ofício e o olhar sensível para documentar os acontecimentos de seu tempo.

A exposição poderá ser visitada no Palácio de Maldonado, de segunda a sexta-feira, de 9 às 14 horas, até o próximo dia 9 de dezembro de 2016.
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