Cartel 216.06.2016

Na próxima quinta-feira, 16 de junho, às 11:30 horas, o reitor da Universidade de Salamanca,  Sr. Daniel Hernández Ruipérez, e o Embaixador do Brasil em Madri, Sr. Antonio Simões, inauguram a exposição Os filhos da Terra do Sol, da fotógrafa Raquel Araújo, a terceira dos quatro selecionados no programa de Residência Artística Fotografia 2016. A exposição descreve, de maneira quase etnográfica, uma das manifestações culturais mais significativas da tradição afro-brasileira: o Tambor de Crioula, Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2007.

Original do estado do Maranhão, o Tambor de Crioula consiste numa dança circular executada por mulheres ao ritmo marcante dos tambores, em homenagem a São Benedito, o santo negro, como podem apreciar nesta reportagem da TVNBR. Não tem um calendário específico, podendo ser praticado em qualquer época do ano, mesmo que se celebra com mais frequentemente no Carnaval ou durante as festas juninas. Na verdade, recentemente, foi decretado o 18 de junho como dia do Tambor de Crioula. A coreografia executada pelas bailarinas ou coreiras, resulta vibrante e até mesmo hipnótica, destacando o movimento das saias fabricadas com um tecido fino de algodão estampado com cores brilhantes. 

A exposição de Raquel Araújo nos aproxima, com vinte fotografias em preto e branco, a uma destas “festas”, protagonizada pelo Tambor de Crioula Filhos do Sol, que se reune no Passeio Público, a praça mais antiga da cidade de Fortaleza, no Ceará. Fortaleza é conhecida popularmente como “Terra do Sol”, título que inspirou o nome do grupo. Formado por jovens que mantêm contato constante com o tradicional Tambor da Casa do Mestre Amaral, no Maranhão, os Filhos do Sol se reunem semanalmente em diferentes lugares públicos da cidade, onde ganharam visibilidade e reconhecimento no agitado espaço urbano.

Raquel Araújo (Fortaleza, CE, 1989) encontrou na câmera fotográfica a oportunidade de unir sua formação acadêmica em Ciências Sociais, com sua paixão pelo tambor e as manifestações culturais que giram em torno desse instrumento musical. Através da câmera, a fotógrafa descreve em imagens a relação da sociedade fortalecense com os tambores da cultura popular brasileira. Além de trabalhar de forma independente fotografando manifestações culturais afro-brasileiras tradicionais como o Tambor de Crioula, Roda de Coco, Capoeira, Maculelê ou Maracatu Cearense, é fotógrafa da Caravana Cultural, instituição que promove no Brasil e na França a formação contínua de percusionistas e pesquisadores da cultura popular.
A exposição poderá ser visitadas no Palácio de Maldonado de segunda à sexta-feira, de 09:00 às 14:00 horas, até o próximo 11 de julho de 2016.
Se deseja saber mais da expo e do Tambor de Crioula, pode escutar este programa de Brasil é muito mais do que samba, da Radio Universidade.
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